O mago que caminha em trilhas desertas,
Onde a vastidão do pensar faz morada.
Seu olhar repousa além das descobertas,
Onde a mente comum não deixa pegada.
Há em seu peito um cosmos ardente,
Estrelas de ideias, paixões a brilhar.
Mas poucos, tão poucos, cruzam a corrente
Que leva ao mistério de seu navegar.
Não se rende ao frívolo, ao raso, ao vão,
Seu mundo é profundo, de rara visão.
E enquanto a superficialidade clama em vão,
O mago cultiva a introspecção.
Autêntico em seu ser, não teme a fronteira
Entre o visível e o que é oculto além.
Sua essência assusta, como luz verdadeira,
A quem apenas a sombra convém.
A solidão, pois, é coroa sutil,
Que o eleva à altura de sua criação.
Não é vazio, mas um templo febril,
Onde o silêncio nutre a contemplação.
E quando um outro, por destino ou por sorte,
Adentra o reino que o mago traçou,
A vastidão se desfaz como uma forte
Maré que, em ternura, tudo inundou.
Lembre-se, ó mago, que estar só não é dor,
Mas a promessa de um laço a se tecer.
A solidão é a sombra do esplendor,
Que aguarda, paciente, quem venha a merecer.