A solidão de pessoas interessantes


Trazem nos olhos um cosmos de ideias,

Infinitos caminhos que poucos ousam trilhar.

Na superfície, corações rasos hesitam,

Fugindo do abismo que elas anseiam desvendar.


Carregam paixões intensas,

Tesouros que se ocultam de olhares banais.

Sua autenticidade não se curva à norma,

Pois florescem onde a profundidade se faz.


Seletivas, como quem guarda um relicário,

Buscam encontros de alma, não meros acenos.

E na aridez de gestos triviais,

Preferem seu próprio silêncio a falsos terrenos.


A solidão, então, não é um castigo,

Mas um santuário, refúgio de altivez.

Enquanto esperam quem compreenda seu lume,

Não cedem à rotina, não se rendem à escassez.


E quando surge outro ser inteiro,

Capaz de mergulhar nessas águas profundas,

A solidão silencia, e a alma transborda,

Em laços genuínos, livres de amarras rotundas.


Se te vês nessa quietude delicada,

Recorda: teu vazio não é falta, mas plenitude.

É força de quem escolhe a verdade interna,

Até que encontre quem compartilhe tua amplitude.


O Mago e a Vastidão

O mago que caminha em trilhas desertas,

Onde a vastidão do pensar faz morada.

Seu olhar repousa além das descobertas,

Onde a mente comum não deixa pegada.


Há em seu peito um cosmos ardente,

Estrelas de ideias, paixões a brilhar.

Mas poucos, tão poucos, cruzam a corrente

Que leva ao mistério de seu navegar.


Não se rende ao frívolo, ao raso, ao vão,

Seu mundo é profundo, de rara visão.

E enquanto a superficialidade clama em vão,

O mago cultiva a introspecção.


Autêntico em seu ser, não teme a fronteira

Entre o visível e o que é oculto além.

Sua essência assusta, como luz verdadeira,

A quem apenas a sombra convém.


A solidão, pois, é coroa sutil,

Que o eleva à altura de sua criação.

Não é vazio, mas um templo febril,

Onde o silêncio nutre a contemplação.


E quando um outro, por destino ou por sorte,

Adentra o reino que o mago traçou,

A vastidão se desfaz como uma forte

Maré que, em ternura, tudo inundou.


Lembre-se, ó mago, que estar só não é dor,

Mas a promessa de um laço a se tecer.

A solidão é a sombra do esplendor,

Que aguarda, paciente, quem venha a merecer.

 
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